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  • Michel Mansur

A IMPORTÂNCIA DO AUTOCONHECIMENTO

Atualizado: 4 de Nov de 2019

Eu sou psicólogo, isso quer dizer que muitas vezes vivo o desafio de ser humano, com toda a carga histórica e social que carrego comigo, entre os meus defeitos e as minhas falhas, e ao mesmo tempo vivo o desafio de ter que frustrar as pessoas a minha volta que esperam que eu seja algo diferente, um ser perfeito e irretocável, exatamente por ser psicólogo. Todos nós passamos por esse tipo de cobrança vinda de outras pessoas, como se tivéssemos que corresponder as suas expectativas.


Em alguns momentos isso me incomodou, até mesmo me preocupou, como eu acho que aconteceria com qualquer pessoa, e me vi ali tentando me encaixar no estereótipo do que se espera de um psicólogo, seja ele uma pessoa séria e centrada com seu terno e um cachimbo em uma sala de luz baixa, ou seja ele um retrato de Woodstock, com suas roupas coloridas e fala calma, com seu discurso de paz e amor.


Durante muito tempo, antes de ser psicólogo, fui uma pessoa que criou barreiras para a minha liberdade pessoal, antigamente essas barreiras eram: “Não posso fazer tal coisa, porque uma pessoa direita, de moral e bons costumes não faria isso” e depois passou a ser “não posso fazer isso porque sou psicólogo”.





Um dia entre as minhas leituras encontrei a resposta em um dos homens que mais admiro dentro da psicologia, Fritz Perls, e ele disse:  "Quanto mais a sociedade exige que o indivíduo corresponda aos seus conceitos e ideias, menos eficientemente ele consegue funcionar”, já aviso que vou me utilizar muito das palavras dele nesse texto.


Perls que era um transgressor em sua época, era um psicólogo que quebrou todas as barreiras possíveis para fazer as coisas do seu próprio jeito, ele encontrou sua própria forma para curar pessoas, exatamente porque ele esqueceu o conceito de cura, o conceito de normalidade, e abandonou as regras sociais. Ele deixou de levar em contato o que  a sociedade esperava de pessoas “normais”, e as deu o direito apenas de serem o que elas são em sua essência, e apenas isso as libertou, as curou.


Nesse momento eu me vi como pessoa, como psicólogo, como Michel, eu sou como sou, onde sou, e porque sou. Funciono da maneira que funciono porque é essa a minha melhor forma de funcionar considerando as ferramentas e possibilidades que tenho nesse momento. Posso melhorar a cada dia, posso mudar a cada instante, mas em essência sempre serei quem sou.

Foi quando Sartre fez mais sentido que nunca em minha existência, dizendo que: “O ser humano está condenado a ser livre e toda sua existência decorre dessa condição”, traduzindo o que filósofo o tempo todo tentou esfregar na minha cara, na verdade ele queria dizer o seguinte: “Você é livre! Independentemente do que você faça, seguindo o que os outros querem ou não, você será sempre responsável por tudo isso, e no fim, você vai pagar a conta! Então pelo menos faça o que quer fazer, porque você sempre será julgado!”


Sartre sempre me falou o que eu precisava ouvir, mas muitas vezes eu não queria ver, como diria Perls: "A verdade só pode ser tolerada se descoberta por conta própria", eu avisei que o citaria muitas vezes nesse texto.


Foi quando eu descobri que por muito tempo deixei de ser eu, para me encaixar no que na verdade eram os outros, e de tanto me misturar com os outros, eu esqueci de quem eu era e me vi em um continuo processo de descobrir quem sou.


O caminho de descobrir-se é estranho, costumo dizer que muitas vezes é como andar em um corredor escuro, vendado e mesmo assim conseguir ver as suas sombras correndo por ali, como vultos sinistros. Então enquanto você caminha tateando as paredes, por vezes você vai tocar flores, outras vezes vai se machucar em espinhos, mas chegará o dia onde retirará a venda e acenderá as luzes, então poderá ver que todas as coisas do mundo, todos os deuses e todos os demônios apenas existiam dentro de você.


Nesse momento você descobrirá que por mais que fugisse de determinadas situações, eles pareciam sempre voltar até você, porque eles nunca haviam saído de dentro de você, mas quando passa a enxerga-las claramente, percebe que não são tão assustadores assim.


No ponto mais importante dessa jornada, descobrirá também que toda aquela felicidade, e o paraíso perdido que buscou por trás de montanhas, ouvindo gurus e trilhando caminhos mágicos, sempre esteve perdido dentro de você e bastava que abrisse os olhos para que o encontrasse.


Perls mais uma vez surgirá com suas palavras e nos dirá: "Seja como você é. De maneira que possa ver quem é. Quem é e como é. Deixe por um momento o que deve fazer e descubra o que realmente faz. Arrisque um pouco, se puder. Sinta seus próprios sentimentos. Diga suas próprias palavras. Pense seus próprios pensamentos. Seja seu próprio ser. Descubra. Deixe que o plano pra você surja de dentro de você."


A mais árdua tarefa do ser humano é ser quem ele realmente é e ainda assim conseguir viver harmonicamente em sociedade, mas enquanto ele precisar da aprovação social se tornará prisioneiro. Entenda que enquanto tentarmos cumprir com todas as expectativas sociais será impossível que sejamos felizes, e o mais importante, será improvável que sejamos saudáveis.


Você é inevitavelmente quem é, e não poderá fugir disso para sempre, você é perfeito dentro das suas possibilidades, mas precisa quebrar as correntes sociais que lhe prendem, pare de buscar respostas fora de você, as outras pessoas não sabem mais sobre você do que você mesmo, você não encontrará suas respostas do lado de fora, sempre uso uma frase para isso: Você está procurando a sua carteira, onde você não a perdeu.


Vou encerrar esse texto com o que na minha opinião é a reflexão máxima da autenticidade humana: “Eu sou eu, você é você. Eu faço as minhas coisas e você faz as suas coisas. Eu sou eu, você é você. Não estou neste mundo para viver de acordo com as suas expectativas. E nem você o está para viver de acordo com as minhas. Eu sou eu, você é você. Se por acaso nos encontrarmos, será lindo. Se não, não há o que fazer” (Fritz Perls, 1969).

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